A Ciência pelo Caminho das Artes Capítulos:

Prefácio

Seria melhor dizer "A Ciência vista pelo Espaço onde se distribui o corpo da Arte", quando o Impressionismo deixa o rigor respirar e aumentar seu horizonte através do movimento que deforma as curvas, contrariando o poeta Charles Baudelaire que dizia: "Je haie le mouvement que déplace les lignes". (Eu odeio o movimento que desloca as linhas). Será que Baudelaire não confundiu a imagem virtual do espelho com o objeto real, o Amor com o Ódio: duas formas vivas se juntando pelas costas mas loucas para se virarem e juntar seus lábios? As curvaturas do espaço querem se casar, acoplar seus caminhos para criar novos mundos, novos seres.

Albert Eisntein fez um discurso sobre o físico Max Planck em 26 de abril de 1918, no qual dizia: "Eu sou da opinião de Schopenhauer quando falava: um dos motivos mais fortes que nos conduz em direção à Arte e à Ciência é a evasão da vida cotidiana, da sua aridez e do seu vazio desesperador." Um dos maiores gênios de nosso século colocava no mesmo plano e ocupando o mesmo espaço a ARTE e a CIÊNCIA, possivelmente sentindo o entrelaçamento íntimo entre estes dois estados da inquietação do homem.

A Ciência como caminho da pesquisa humana não teria esquecido que não existe o traço sem a superfície que o suporta, a face sem o volume sobre a qual se apoia, a beleza da mão ao apertar uma outra? Ou a Ciência teria esquecido que ela não é um animal hermafrodita e narcisista que só ama a si próprio? Gostaria de mostrar nesse livro que os métodos utilizados na Ciência poderiam se originar nas largas pinceladas da pintura, na harmonia e nas dissonâncias de uma linha musical, no vôo de uma andorinha saindo do Canadá para atingir um ponto certo da Argentina para poder amar.

AS CURVATURAS DO UNIVERSO SÃO FEITAS PARA SE UNIR TANTO NA ESPIRAL DE UMA GALÁXIA QUANTO NUMA NUVEM ELETRÔNICA QUE ENVOLVE O PRÓTON PARA FORMAR UM ÁTOMO DE HIDROGÊNIO.

Ivan Beltrão - 1979

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